Ontem completei 12 anos de Porto Alegre. Me mudei para cá em 19 de janeiro de 2002. Nesses doze anos aprendi a amar essa cidade. Aqui conheci pessoas incríveis. Vivi amores profundos. Ganhei duas filhas que me transformaram completamente. Aprendi a viver no frio e me aquecer no contato com as pessoas que me cercam. Conheci a Comunidade onde moro e os amigos incríveis que vivem lá comigo.
Uma das primeiras coisas que eu ouvi quando cheguei em Porto Alegre foi o Vitor Ramil. Já conhecia quando morava em Niterói, mas fui ouvir de verdade mesmo quando mudei pra cá. Aqui eu acho que entendi a música dele. Entendi o que ele queria dizer com a estética do frio. Rigor, profundidade, clareza,concisão, pureza, leveza e melancolia. Só dá pra entender isso conhecendo esse "Brasil particular" do Vitor Ramil, que é o Rio Grande do Sul. Um povo diferente, contido, conciso, mas ao mesmo tempo caloroso e profundo. Uma geografia de grandes espaços, onde o tempo passa de uma forma diferente. A música do Vitor consegue captar esse Brasil, mais parecido com Buenos Aires, com Montevidéu, do que com as cores vibrantes da Bahia, ou mesmo do Rio de Janeiro.
Depois de 12 anos vivendo em Porto Alegre, a música do Vitor Ramil me toca muito profundamente. Me emociona de um jeito diferente do que quando cheguei aqui. Recentemente estive no Rio de Janeiro e assisti um show dele em Copacabana, presente da minha namorada, a Akhila. Foi um momento especial, me emocionei várias vezes numa sensação diferente. Estar no Rio, ouvindo o Vitor parece que uniu alguma coisa dentro de mim. Naquele dia tinha ido passear pelo Centro do Rio com a Akhila, mostrei pra ela as ruas e locais onde passei boa parte da minha juventude. Lembrei do tempo em que trabalhava de office boy, caminhando pelas ruas apinhadas de gente. Das passeatas e comícios que assisti na Candelária e na Cinelândia. Ouvir o Vitor Ramil naquela noite, parecia um aviso de que tudo aquilo era eu. O garoto que andava descalço pelas ruas de Realengo, o adolescente e jovem que andava pelas ruas do Centro do Rio e o homem que foi viver em Porto Alegre e estava ali se emocionando com a música do Vitor Ramil em plena Copacabana.
Naquela noite eu não só entendi, mas senti dentro de mim a música do Vitor Ramil:
"Concisão tem pátios pequenos
Onde o universo eu vi
Em Pureza fui sonhar
Em Leveza o céu se abriu
Em Melancolia
A minha alma me sorriu
E eu me vi feliz"
E naquela noite eu me vi feliz !!!
3 comentários:
Marcelo...tanto tempo e tão lindo ter estado contigo no tempo em que estive. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, naquele tempo. Bjs querido. Coração é pouco, coração é pequeno, velho.
Marcelão, xará! Chapa!
De fato: quando fui a PoA conheci Vitor Ramil: ouvindo. E chovia muito no inverno meridional. Tudo sugeria a poética dos guarda-chuvas, dos tempos sobrepostos, futuro, passado e presente contíguos em músicas particulares e em todas as músicas. É o som daí mesmo... Uma melancolia de planície, de estuário, de movimentos lentos e infindos...
Doze anos de companherismo, mesmo que longe muitas vezes. Doze anos de Betãnia. bjs
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